ENTREVISTA: Kristin Hayter, (d)a Lingua Ignota

Tu duvidas de mim, traíra? Uma das mil (!) fotos feitas para o novo ciclo (Foto: Kristin Hayter/Instagram)

por Nilo Vieira

[ENGLISH VERSION BELOW!]

Alexis Marshall (vocalista do Daughters e nosso primeiro entrevistado!), foi direto ao ponto: “ela está realizando coisas importantes com sua música“. Foi como conheci Kristin Hayter e seu projeto, Lingua Ignota. A mistura de música erudita com death industrial de All Bitches Die (2017) cativou por seu tom visceral, ampliado em performances ao vivo. Com letras versando sobre um relacionamento abusivo da própria artista, a repercussão emocional do público também foi grande – não era incomum ver pessoas em lágrimas após os shows. CALIGULA, lançado este mês pela Profound Lore, soa como um triunfo no mesmo tom em que escancara as cicatrizes de outrora. Conversei com Hayter sobre o excelente novo álbum, sua trajetória nas artes e mais.

Você disse que nem sempre se sente confiante sobre o próprio trabalho. Bem, CALIGULA tem mais de uma hora, e a canção mais longa (“Do You Doubt Me Traitor”) foi “single” também…

(risos) É verdade.

Este é seu primeiro álbum gravado em estúdio, certo? Como tal ambiente afetou seu processo criativo?

A maioria das músicas escrevi sozinha, e gravei boa parte como demos de voz e piano antes de entrar no estúdio. E então comecei a pensar nos arranjos, se queria que soasse mínimo ou espartano, algo mais complexo… no estúdio pude experimentar com mais instrumentos, jeitos diferentes de gravar também, modos diferentes de trabalhar espaços e percepção. Criou um ambiente maior, mas também mais intimista, pois fizemos gravações mais próximas. Definitivamente uma experiência enriquecedora.

Há colaboradores também. São pessoas próximas a você, mas como foi dirigi-los em sua visão?

Foi ótimo! Todo mundo que está no disco são pessoas com quem já havia trabalhado ou eram importantes para mim. Então foi como se tivesse a proteção da minha comunidade, amigos íntimos. E todos têm um dom especial ou som que eu podia ouvir e queria no álbum também.

Você fez mil fotos para esse novo ciclo?

Fiz. Mil obras de natureza morta. Tive todo esse monte de lixo montado no meu quarto por uns meses, lentamente me deixando doida.

As pessoas verão o pacote todo algum dia? Poderia virar um livro e tal.

É, talvez algo aconteça com esse material. Definitivamente irá.

Apesar disso, a imagem para a capa foi esse retrato mais próximo. Sinto que há relação semântica entre essa foto e a do All Bitches Die, uma espécie de vitória, talvez?

Sim, definitivamente é pra ser… ou talvez eu espere que haja continuidade em minhas capas, nesse sentido, que sejam porta-retratos feitos de maneira particular, indo adiante. Quis referenciar a capa do anterior, mostrando uma nova atitude.

Açougueira do mundo: a César o que é de César (Foto: Reprodução)

Um comentário mencionou que uma das suas fotos lembrava a Madonna da era Like a Virgin. Talvez pelo vestido. Não sei se foi proposital, mas é curioso observar que a cena experimental/underground não costuma ser tão amistosa com artistas pop. Por outro lado, a conversa de união e até convergência entre nichos é crescente hoje em dia. Qual sua opinião sobre? “Jolene”, da Dolly Parton, esteve no seu set na última turnê.

Não sinto que preciso me encaixar em qualquer molde da música extrema, e com minha aparência tento reivindicar como as mulheres são percebidas ali. Não preciso vestir jeans e camisetas de banda o tempo todo. Os porta-retratos tem a função de reclamar identidade, ou referenciar artistas como a Cindy Sherman – que fez exclusivamente retratos em sua carreira, e desafiou as representações de mulher ao fazê-lo do modo em que queria ser representada.

Essas fotos mostram um interesse elaborado em moda. Uma amiga até sugeriu a construção de feminilidade que, como você mencionou, não é tão comum no nicho do noise. Um misto de estilos contemporâneos e clássicos… acho que tem até um vestido de plástico ali?

(risos) Sim, sim. Moda e aparência externa são importantes para mim pois quando estive num relacionamento abusivo, uma das coisas mais controladas era minha aparência. Tinha que parecer bem rebaixada e conservadora – e não é o que sou. Então grande parte de ser… eu, autoexpressão, entrar de verdade no trabalho é poder me mostrar do jeito que quero. E tem a ver sobre o quão difícil é olhar para mim mesma. Sofri com problemas de autoimagem de modo bem extremo, durante a vida toda, então estou me desafiando também.

Fiel serva de Cristo (Foto: Kristin Hayter)

O que você acha do filme Caligula (1979)? Alguns visuais parecem inspirados nos do longa-metragem.

É, um pouco! Referencio o filme e outras fontes sobre o imperador Caligula ao longo do disco. O filme… é horrível, à sua maneira (risos), depravado e debochado. É bem gráfico, um tanto na linha de Salò, do Pasolini.

É curioso ver que Caligula é mostrado como uma besta falocêntrica e sua irmã ser uma figura tão influente em sua vida.

Absolutamente. Uma das coisas mais interessantes é que ele era tão violento, petulante e foi traído por todos em seu redor, sua família foi assassinada. Uma história de que violência gera violência.

Ele também foi da completa devoção a se proclamar como deus. Você mencionou Caligula como metáfora pro declínio da sociedade, me pergunto se o sentido religioso está incluso.

Creio que há uma frase, acho que não no filme e sim na peça de Camus, onde Caligula diz que, para ser deus, precisa apenas ser cruel. Essa linha ficou comigo enquanto escrevia o disco, com certeza, pensando no fim dos tempos e a crueldade de um deus vingativo que estamos vivendo agora.

Disseram que você foi escolhida pra cantar na igreja mesmo após virar ateísta. É verdade?

Bem, fui criada católica e me tornei ateia quando adolescente. E depois troquei isso por uma espécie de agnosticismo, então não tive problemas em cantar em igrejas e coisas do tipo. Tenho sim uma relação forte com a imagética da igreja, é algo nostálgico e muito bonito pra mim.

Há certa narrativa em usar sua foto como noivinha no encarte do disco.

Sim, é uma foto da minha primeira comunhão. A estética do álbum mostra a progressão da criança pura até a fera…

Hay que endurecer pero sin perder la piada jamás

É notável que você também reservou humor no trabalho, como o vídeo estilo The Office e o sample do Lars Ulrich comendo um sanduíche. Geralmente músicos experimentais se levam a sério, até demais…

É quase como uma técnica de sobrevivência minha, usar humor. E também queria zombar a postura que vejo muito no metal e noise, onde é tudo tão absoluto. A expressão é sempre absolutamente satânica, absolutamente má… só quis tirar aquilo de contexto e colocá-lo em algo real, sobre sobrevivência. Além de mostrar senso de humor, e penso que isso dá outra profundidade para a música também.

Alguns samples são nítidos, outros mais indecifráveis. Por que ocultar apenas alguns?

Creio que a maior parte das coisas que preciso que o ouvinte ouça e entenda está claro. O Lars, por exemplo. Mas há alguns samples de black metal que funcionam mais como texturas ambientes, blast beats que foram distorcidos até a abstração e você não precisa necessariamente ouvir… Pensei na ecologia das composições, o que era mais importante na hierarquia.

Você é graduada em artes. Tanto conhecimento ajuda como confunde? CALIGULA foi descrito como “ópera outsider” por ti.

Ter um diploma em arte foi muito útil para realizar esse trabalho, pois me ajudou a descobrir como pensar na obra, fazer coisas. As filosofias que aprendi na universidade caminham comigo até hoje; uma das coisas que sigo usando é pesquisar sobre coisas que quero trabalhar sobre e sempre me perguntar “por que?”, olhar para cada decisão e questionar. Penso que ser artista está relacionado sobre esse processo de edição. Fazer escolhas e esculpi-las. É algo que me influencia bastante. Mas muito conhecimento também pode te deixar maluco e tornas as coisas menos intuitivas, o que não é tão bom. Você precisa encontrar um equilíbrio.

A primeira natureza morta composta no ciclo (Foto: Kristin Hayter/Instagram)

A música te acompanha desde cedo. Por que demorou tanto para seguir esse caminho de modo profissional?

Porque estava explorando música em lugar diferente. Quando era mais jovem, queria fazer do jeito clássico, ir ao conservatório estudar ópera. Não fiz isso e fui para a escola de artes no lugar. Então caí nesse caminho multidisciplinar e trabalhei no ambiente acadêmico. E na academia é muito diferente, é mais lento e, na maioria das vezes, precisa ser algo mais seco e menos emocional… Me levou um tempo, embora meu trabalho sempre tenha sido sobre dor, similar ao que faço agora. Estava no lugar errado. Precisava não estar no mundo acadêmico.

Mas sentiu alguma validação nesse ambiente?

Não me senti validada pela academia. Eles não foram super receptivos com meu trabalho, acharam que era muito violento e confrontador… fiz alguns trabalhos que gostaram no passado, mas na maior parte era um pouco demais para aquela área. Apesar de amar muitas pessoas na academia e vários trabalhos, não se encaixou. Foi desafiador produzir lá.

É estranho, pois eles prezam pelo novo e, quando surge, acabam preferindo versões requentadas da obra de outros….

Exatamente. Muito do trabalho acadêmico demanda muita teoria profunda para apoiar sua produção, vários teóricos, e você precisa ter uma dissertação sobre cada coisa que faz. Historicamente na arte, creio que muitos dos melhores e mais revolucionários trabalhos vieram de coisas que não estão na academia – ou de pessoas que romperam com a academia. É interessante.

Make worthless your body/ So no man can break it (Foto: Kristin Hayter/Instagram)

Canções do CALIGULA mencionam abdicar do corpo para se libertar. Acredita que corpo e mente são entidades separadas?

(silêncio de reflexão) Acredito que podem ser. E que você pode dissociar do seu corpo e ficar apenas na sua mente. E o disco é um pouco sobre isso, tentar encontrar o espaço transcendental onde você excede seu corpo e fica em algum lugar fora de si mesmo.

Isso me faz pensar em certa ideia de penitência. É bizarro como a adrenalina nos empurra contra nossos próprios corpos… digo, você fez isso, o Lex do Daughters, Dead do Mayhem. Muitos acreditam que seja teatro, mas é até natural em certo ponto.

É, falo muito com o Lex sobre isso, é um amigo próximo. Acredito que nós dois operamos com adrenalina quando performamos e ficamos exaustos depois, mas pra mim é quase como dissociação. Os machucados e a intensidade são reais, não finjo que estou gritando. É necessário que seja parte da performance. Para que seja autêntico e real, preciso acessar algo fora de mim.

Aliás, sua última turnê foi pesada nesse aspecto. O que podemos esperar para o novo ciclo? Talvez gente com corpse paint, dada a aproximação maior com o metal no disco.

(risos) Não, acho que será só eu novamente. Terei diferentes abordagens quanto ao ato, ainda quero desafiar a relação entre o público e o artista e estar junto das pessoas, ao invés de ficar no palco. Tenho algumas ideias baseadas no que fiz antes e espero refiná-las.

Você afirmou que trinta minutos acabaram cortados do CALIGULA. Esse material verá a luz do dia? O álbum acaba em uma nota abrupta e tal.

Originalmente, o disco era muito longo e nós o podamos. Mas eu queria que terminasse assim, do mesmo jeito que começou, construir algo cacofônico e um pouco transcendental e aí acabar, te abandonando. Sim, foi bem intencional, é uma técnica que peguei do harsh noise – quando as pessoas terminavam seus sets. Como um botão de desligar, ou apenas desplugar e tudo para.

Com toda a aclamação crítica e a resposta emocional do público, é até esquisito atender pelo nome de “língua desconhecida” (lingua ignota no latim). Você soa cada vez mais universal…

Acho que o nome é sobre a música tentar expressar o inexpressável, algo extático. Não sei se é algo que terei de mudar ou que não se aplicará mais conforme o trabalho ficar mais conhecido… creio que se aplicará mais no sentido de que tento criar minha própria linguagem a partir de vários gêneros, minha própria língua musical para expressar dor.

Não sei pronunciar o nome da santa que cunhou o conceito lingua ignota, mas ela era compositora também, né?

Sim, Hildegard von Bingen, era sim.

Algo mais que você gostaria de adicionar para quem nos lê?

(silêncio de reflexão) Não sei se há algo para adicionar… tem sido muito interessante ver como as pessoas responderam e estou animada para o futuro, há muitas coisas vindo este ano e no que vem… Veremos!


You said that you don’t always feel confident about your work. Well, CALIGULA is over one hour long, and the longest track (“Do You Doubt Me Traitor”) was picked as a “single”…

(laughs) Yeah, it’s true.

This is your first album properly recorded in a studio, right? How did such environment affect your creative proccess?

Most of the music was written alone, and I recorded a lot of it as voice and piano demos before taking it to the studio. And then worked on arranging it or thinking how I wanted each song to sound, if I wanted it to stay kinda minimal or spartan or large and complex. In the studio I got to play with a lot of instrumentation and different ways of recording things, also different ways to play with space and perceptions. So I think it created a much larger environment, while also creating a more intimate environment, because we got to do closer recordings. It was definitely an enriching experience.

There’s musical collaborators as well. People close to you, but how was it directing them into your vision?

It was really great! Pretty much everyone on the record is either someone I worked with previously or is really important to me. So it felt like having the protection of my community, my close friend. And everyone has a gift or a sound that I could hear and wanted in the album as well.

You did one thousand photographs for this new cycle?

I did. One thousand still lives. I had all this garbage set in my room for a bunch of months, slowly driving me insane.

Will people ever see the whole package? Maybe a book and stuff.

Yeah, maybe something will happen with this material. Definitely will.

Nevertheless, the cover image was this closest portrait. I feel there is a semantic relationship between this picture and the All Bitches Die one, a kind of victory, perhaps?

Yes, it’s definitely meant to be… or maybe I am hoping that my covers will have continuity, in that sense, self portraits made in a particular way, going forward. I wanted to reference the previous one, showing a new attitude.

A comment mentioned that one of your photos resembled Madonna, Like a Virgin era. Perhaps because of the dress. I don’t know if that was on purpose, but it’s curious to notice that the experimental/underground scene is not that friendly to pop artists. On the other hand, there’s much talk about union and even convergence between such niches. What’s your opinion on that? Dolly Parton’s “Jollene” was on your set last tour.

I don’t reaal feel I need to fit in any kind of mold related to extreme music, and with my appearance I’m trying to reclaim how women are perceived. I don’t need to wear jeans and band tees all the time. The self-portraits are meant to reclaim identity, or reference an artist as Cindy Sherman – who did exclusively portraits on her career, and challenged depictions of women by making her own depiction as she wanted to represented as.

These pictures show an elaborated interest in fashion. A female friend even suggested a construction of femininity that, as you mentioned, is not that common for the noise niche. A mix of contemporary and classical styles… there’s even a plastic dress in there, I think?

(laughs) Yeah, yeah. Fashion and external appearance are really important to me, because when I was in an abusive relationship, one of the things most controlled was my appearence. I had to look very demured and conservative, and that’s now how I am. So a big part of being… me, self-expression, truly coming the work is to be able to present myself the way I want. And also has to do that it’s difficult for me to look at myself. I struggled with self-image issues in a pretty extreme way, pretty much my whole life, so I’m challenging myself there as well.

How do you like the film Caligula (1979)? Some of the visuals seem to be inspired by the ones in the movie.

A little bit, yes! I’m definitely referencing the film and other sources about the emperor Caligula throughout the record. The film is like… horrible, in its way (laughs) it’s super depraved and debauched. A very graphic film, a little bit on the line of something like Pasolini’s Salò.

It’s curious to see that Caligula is pictured as a phallocentric beast, yet his sister was such an influent figure on his life.

Absolutely. One of the most interesting things I found is that he was so violent, petulant and was betrayed by everyone around him, his family was murdered. A history that violence begets violence.

His belief also went from total devotion to proclaiming himself a god. You spoke about Caligula as a metaphor for the decline of society, I wonder if this religious meaning is there as well.

I think there is a line, not in the film but in the play by Camus, where Caligula says that in order to be a god, he must only be cruel. That line stuck with me while I was writing the record, for sure, thinking about the end times and the cruelty of a wrathful god we’re living now.

People said you were picked to sing on the church even after becoming an atheist. Is that true?

Well, I was raised catholic and became an atheist when I was a teenager. And then recanted that for some king of agnosticism, so I don’t have any problems singing in a church and stuff like that. I do have a strong relationship to the imagery of the church, it’s something very nostalgic and beautiful for me.

There is a sort of narrative in using your photo as little bride on the album’s booklet.

Yeah, that was a picture of my first communion. The imagery of the record shows this progression from the pure child to beast…

It’s notable that you include humour in the work, like the Office-like video or the sample of Lars Ulrich eating a sandwich. Experimental musicians tend to take themselves too seriously generally…

It’s almost like a survival technique of mine, using humor. And I also wanted to poke fun at this posture I see a lot in metal and noise, where everything is so absolute. The expression is always absolute satanic, absolute evil… I just wanted to take that out of context and put into something real, about survivorhood. And also show sense of humour, which I think adds another depth to the music as well.

Some samples are clear, other aren’t. Why make some undecipherable?

I believe the majority of things I need the listener to hear and understand is clear. Lars, for an example. But there are some black metal samples that work more as ambient textures, blast beats that were distorted to abstration and you don’t really need to hear it… I thought on the ecology of songs, what was more important on the hierarchy.

You have a degree on arts. Does the knowledge help or confuse? You described CALIGULA as an “outsider opera”.

Having a degree has been really helpful for me making this work, because it helped me think about artwork and making things. The philosophies I learned in school I still retain with me today; one of the things I learned I continue to keep with me is doing research into things I wanna do work about and always ask myself “why?”, look into every decision and question. I think that being an artist ultimately is being about editing. Making choices and editing those down. It’s something very influential on me. But it also can drive you crazy, having too much knowledge can make things less intuitive, which makes things not as good. You have to strike a balance in there.

Music has been with you since the beginning. Why did it take so long to make it a professional thing?

Because I was exploring music in a different place. When I was younger, I wanted to do it in the classical way, go to conservatory and study opera. I didn’t do it and went to art school instead. So I found myself on this multidisciplinary arts path and worked on academia. Making work in academia it’s very very different, it’s slower, the work needs to be drier and less emotional for the most part… It did take me a while, although my work has always been about paint, similar things to what I am doing now. It was the wrong place. It needed not to be in the academic world.

Did you feel any validation on such environment, though?

I did not feel validation on academia. They were not super receptive on my work, they thought it was too confrontational and violent…. I have made some work people liked in academia in the past, but for the most part it’s just a little bit too much for that zone. Even though I love a lot of people in academia, love a lot of that work, it doesn’t fit there. It was challenging making work there.

It’s strange, because they cherish the new and when it comes, they end up preferring rehashed versions of the work of others…

Exaclty. A lot of academic work involves having in depth theory to back up your work, a you need to have a lot of different theorists and a dissertation behind everything you do. Historically, in art, I believe that many of the best and more revolutionary work has come from stuff that’s not in academia – or people who broken off with academia. It’s interesting, yeah.

A couple of songs from CALIGULA mention the abdication of the body to achieve freedom. Do you believe body and mind are separate entities?

(reflexive silence) I believe thar they can be. That you can dissociate from your body and just be on your mind, And the work is about that a little bit, trying to find the transcendental space where you get to exceed your body and be somewhere else outside of yourself.

That also makes me think about a idea of penance. It’s bizarre how adrenaline pushes us against our own bodies. You did that, Lex from Daughters, Dead from Mayhem. Some might believe it’s just theater, but it’s even natural to a point.

Yeah, I talk a lot about this with Lex, he’s a close friend. I think we both operate in adrenaline when we perform and then feel extremely exhausted afterwards, but for me is almost like dissociating. The self-injury and the intensity is real, I’m not pretending to scream. For me, that’s necessary to be part of the performance. In order to be authentic and real, I need to access something outside myself.

Your last tour was pretty wild in that sense, by the way. What can people expect for this new cycle? Perhaps some corpse painted people, since things are closer to metal on the record.

(laughs) No, I think it will be just me again. I think I’ll have different approaches to staging, I still want to challenge the relationship between the audience and the artist and be among people as opposed to be on a stage. I have some ideas based on stuff I did before and hope to refine ‘em.

You mentioned that thirty minutes of material didn’t make the final cut of CALIGULA. Will this stuff ever see the light of day? The album ends on an abrupt note.

Originally the album was very long and we trimmed it down, But I wanted it to end like this, the same way it started, building into something cacophonous and a little transcendental and then just leave, abandoning you. Yeah, it was pretty intentional, it’s a technique I got from harsh noise – when people ended theri sets. Like a killswitch, or just unplugging and everything stops.

With all the critical acclaim and emotional response from the public, it’s a bit weird going by the name “unknown language” (latim for lingua ignota). You sound more and more universal…

I think the name is about the music trying to express the inexpressible, something ecstatic. I don’t know if it’s something I feel I’ll have to change in the future or won’t apply anymore as the work gets more known… I think it will gonna apply more to that I’m creating my own language out of a bunch of different genres, my own musical language to express pain.

I don’t know how to pronounce the name of the saint who developed the concept of lingua ignota, but she was a composer too, right?

Yeah, Hildegard von Bingen, she was.

Anything else you would like to who’s reading?

(reflexive silence) I don’t know if there’s anything to add… it’s been really interesting to see how people respond and I look forward to the futuro, there’s many crazy things coming this year and the next… We’ll see!

2 comentários em “ENTREVISTA: Kristin Hayter, (d)a Lingua Ignota

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